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08 de outubro de 2026

7 min de leitura

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O que a experiência australiana revela sobre o futuro do setor elétrico brasileiro? Especialistas discutem flexibilidade, baterias, sinais de preço, smart meters, abertura do mercado e regulação.

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A Austrália se tornou um importante laboratório para algumas das transformações que hoje desafiam o setor elétrico brasileiro. A expansão da geração solar, o avanço das baterias, a adoção de medidores inteligentes e o desenvolvimento de mecanismos de mercado para remunerar flexibilidade oferecem experiências que ajudam a pensar os próximos passos do Brasil.

No novo episódio do Radar Lefosse, Pedro Dante, sócio da prática de Energia do Lefosse, conversa com Alexandre Vianna e Zebedeu sobre os aprendizados do mercado australiano e os caminhos para um setor elétrico brasileiro mais flexível, eficiente e preparado para novas tecnologias.

A discussão não parte da ideia de replicar um modelo pronto. O objetivo é entender o que funcionou na Austrália, quais soluções precisaram ser revistas e como essa experiência pode contribuir para debates brasileiros sobre sinais de preço, armazenamento de energia, smart meters, abertura do mercado, capacidade e regulação.

Por que olhar para o mercado de energia australiano?

A Austrália oferece uma experiência relevante por combinar rápida expansão das fontes renováveis com a adoção de novas tecnologias e diferentes desenhos de mercado.

Uma das características discutidas no episódio é a capacidade do mercado australiano de testar soluções, identificar problemas e adaptar a regulação à medida que o sistema evolui.

Outro ponto é a utilização do preço como instrumento para induzir comportamentos. Sinais econômicos ajudam a orientar decisões de investimento, consumo e armazenamento de energia e criam condições para que diferentes agentes respondam às necessidades do sistema.

Para o Brasil, a comparação ganha importância em um momento em que a expansão das fontes eólica e solar também modifica a dinâmica do setor e amplia a necessidade de coordenar geração, consumo e flexibilidade.

Como desenvolver um mercado de flexibilidade no Brasil?

Durante grande parte de sua história, o sistema elétrico brasileiro contou com elevada participação da geração hidrelétrica, que oferecia naturalmente capacidade e flexibilidade.

Com o crescimento das fontes renováveis variáveis, especialmente eólica e solar, essa configuração mudou e aumentou a necessidade de mecanismos capazes de responder aos diferentes momentos de oferta e demanda de energia.

O episódio discute como melhores sinais de preço podem estimular essa resposta sem depender exclusivamente da criação de novos encargos.

Entre os caminhos debatidos estão a flexibilização dos mecanismos de resposta da demanda, mudanças na cobrança de encargos e a implementação de tarifas dinâmicas capazes de incentivar o deslocamento do consumo.

Qual é o papel das baterias no futuro do setor elétrico?

Os sistemas de armazenamento por baterias aparecem como uma das principais tecnologias capazes de oferecer flexibilidade ao sistema.

Na Austrália, o desenvolvimento desse mercado inclui tanto grandes sistemas de armazenamento quanto baterias instaladas em residências, criando novas possibilidades para arbitragem de preços, gerenciamento do consumo e participação dos consumidores no mercado de energia.

No Brasil, a cadeia começa a se desenvolver, mas ainda existem limitações relacionadas aos sinais econômicos disponíveis para remunerar esses ativos.

A conversa analisa como ajustes regulatórios e de formação de preços podem ampliar a viabilidade das baterias sem depender necessariamente de novos subsídios ou encargos.

A experiência internacional também traz um alerta: conforme a capacidade de armazenamento aumenta, as diferenças de preço que inicialmente tornam determinados modelos de negócio atrativos podem diminuir. Por isso, compreender a evolução de mercados mais maduros pode ajudar empresas e investidores a avaliar os modelos de longo prazo.

Por que smart meters são importantes para a abertura do mercado?

A abertura do mercado amplia as possibilidades de escolha dos consumidores, mas o desenvolvimento de novos produtos depende também de infraestrutura capaz de transmitir sinais econômicos de forma mais granular.

Os medidores inteligentes, ou smart meters, permitem acompanhar o consumo em intervalos menores e podem viabilizar tarifas dinâmicas, resposta da demanda, automação e novos serviços oferecidos por varejistas e comercializadores.

Na Austrália, a expansão dos smart meters acompanha a evolução do mercado varejista e das soluções de flexibilidade.

No Brasil, a discussão envolve questões regulatórias, econômicas e até industriais: como acelerar a substituição dos medidores, quem deve financiar essa infraestrutura e como integrar essa agenda ao processo de abertura do mercado?

Como sinais de preço podem mudar o comportamento do consumidor?

A experiência australiana também mostra como o consumidor pode assumir um papel mais ativo no mercado de energia.

Durante o episódio, são discutidos modelos em que consumidores recebem incentivos para deslocar seu consumo para horários de maior oferta de energia e podem utilizar baterias para responder às variações de preço.

Com medição inteligente e plataformas adequadas, consumidores residenciais podem inclusive participar de estratégias relacionadas ao mercado atacadista por meio de varejistas e outros intermediários.

Para que modelos semelhantes avancem no Brasil, a conversa aponta a importância de combinar abertura do mercado, medição granular e sinais econômicos capazes de remunerar a flexibilidade.

Mercado ou encargos: como remunerar a flexibilidade?

Outro eixo central do episódio é a discussão sobre o papel dos mecanismos de mercado e dos encargos no financiamento das novas necessidades do sistema elétrico.

A criação de encargos pode acelerar a implementação de determinadas soluções, mas também existe o risco de aumentar progressivamente a parcela dos custos do sistema que fica fora dos mecanismos competitivos.

Nesse cenário, os participantes discutem a necessidade de ampliar os sinais de mercado capazes de remunerar flexibilidade e capacidade.

A discussão também diferencia mercado de capacidade e reserva de capacidade. A preocupação apresentada é que a expansão da capacidade do sistema dependa exclusivamente de leilões, sem que se desenvolva paralelamente um mercado capaz de remunerar serviços de flexibilidade e criar oportunidades para diferentes tecnologias e agentes.

Quais mudanças podem destravar o mercado brasileiro?

O episódio apresenta diferentes medidas que podem contribuir para a evolução do setor no curto, médio e longo prazo.

Entre elas estão mudanças nos mecanismos de resposta da demanda, maior granularidade dos sinais de preço, tarifas dinâmicas, expansão da medição inteligente, novos produtos de mercado e ajustes na forma de contabilização e liquidação das operações.

A conversa também destaca a importância de uma visão de longo prazo para que mudanças regulatórias de curto prazo não criem novas distorções ou afastem o setor do modelo que se pretende construir.

O que o Brasil pode aprender com a Austrália?

A experiência australiana não oferece uma fórmula pronta para o Brasil.

O principal aprendizado está na possibilidade de observar como outro mercado enfrentou desafios relacionados à expansão das renováveis, testar quais mecanismos funcionaram e identificar também as soluções que precisaram ser revistas.

Esse benchmark permite antecipar discussões sobre baterias, subsídios, sinais de preço, participação dos consumidores e desenho de mercado.

Mais do que reproduzir o modelo australiano, a proposta é utilizar essas experiências para construir soluções compatíveis com as características do setor elétrico brasileiro e avançar para um mercado com maior capacidade de responder às transformações tecnológicas e econômicas.

Assista ao episódio completo do Radar Lefosse

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